“Super Quarta” tem Fed, Copom e poucas chances de novidade

A primeira “Super Quarta” do ano vai ser marcada por decisões de juros pelo Fed e pelo Banco Central (BC) com pouca margem para surpresas. A expectativa de 10 entre 10 economistas é de que o juro americano seja mantido entre 5,25% e 5,50% e que a Selic sofra novo corte de meio ponto percentual, a 11,25% ao ano. Mesmo que esses movimentos já estejam na conta do mercado, a busca por sinais sobre os próximos passos dos bancos centrais, em especial nos Estados Unidos, é importante para gestores de ativos e investidores.

A decisão sobre os juros a ser anunciada hoje pega a B3 em um momento de instabilidade, com a crise na Gol e retirada dos seus papeis do Ibovespa, e saída de recursos estrangeiros. No acumulado do ano, até ontem (30), o índice recuava 3,99%. A B3 vem registrando saída líquida de recursos de estrangeiros. No dia 22, apurou um saldo negativo de R$ 3,451 bilhões, o maior volume de saída de estrangeiros desde 2021.

Roberto Padovani - Economista Chefe do Banco BC
Roberto Padovani – Economista Chefe do Banco BC

A manutenção do juro americano e a possibilidade de prolongamento da taxa elevada nos Estados Unidos é um sinal ruim para o Brasil, conforme explica o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani. “Tem dois impactos, o primeiro é que juro elevado encarece o crédito e segura o crescimento econômico global, em um momento em que a China já desacelera. Historicamente, cenário de menor crescimento global nunca ajudou os emergentes”, avalia Padovani, acrescentando que o cenário aumenta a cautela. “Países emergentes considerados mais arriscados passam a atrair menos fluxo de recursos.” Apreciação cambial, a maior pressão de custos nas empresas e as contas públicas em situação delicada também pesam contra o Brasil no cenário descrito.


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Myruã Bast - Economista do Bradesco
Myriã Bast – Economista do Bradesco

Para a economista do Bradesco Myriã Bast, todas as atenções se voltam para o comunicado do Fed porque há dados da economia que sugerem pressões inflacionárias mantidas, como os salários em alta. “O Fed tem dúvidas se a inflação vai caminhar para a meta, tem uma atividade econômica ainda forte. E, na dúvida, a tendência é de o Fed formular um discurso cauteloso deixando a porta aberta para prolongar o juro alto no país ou cortá-lo, se julgar adequado”, comenta Myriã.

Na visão de Padovani, há também dados contraditórios sobre a inflação que justificam a cautela que marcará o comunicado. “O CPI mostra resistência em 3%, enquanto a meta é 2%, e os núcleos do CPI e dos serviços rodam próximos a 4%. A inflação caiu bastante, mas entrou em momento de resistência o que faz sentido porque a economia americana segue com pleno emprego. Isso gera um viés de cautela no Fed.”

Sobre a reunião do Copom desta “Super quarta”, os dois economistas reforçam o coro de meio ponto percentual de redução, mas divergem sobre a Selic terminal para 2024. “A gente por ora segue o consenso de uma taxa em 9%, mas estamos revendo se há espaço para uma queda um pouco maior”, comenta o economista-chefe do BV. “O BC fez um trabalho muito bom de ancorar as expectativas e o corte de meio é quase certo, mas para o final do ano nosso call é de 9,25%. Cada vez o Copom olha menos para 2024 e foca na inflação do ano que vem”, afirma Myriã.

Divulgação de balanços

Além das reuniões que definem a política monetária nesta “Super quarta”, o mercado aguarda o ponta pé inicial dos resultados do quarto trimestre 2023. Hoje (31) sai o balanço do Santander (SANB11). Na quinta-feira (01) saem balanços do Banco Pan (BPAN4) e BR Partners (BRBI11).

Outro dado que será monitorado pelo mercado é a Pnad Contínua a ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com projeção de taxa de desemprego próxima a 7%. O Banco Central divulgará também hoje os dados semanais de fluxo cambial.

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