Debêntures e CRIs para empresas do varejo ganham volume e garantias são mais exigidas

Na esteira da queda dos juros, as emissões de debêntures e CRIs de empresas do varejo devem aumentar neste ano. Mas também tendem a crescer as garantias exigidas pelos credores. A avaliação é de Márcio Paiva, diretor da infratech Bloxs Capital Partners. Segundo dados da empresa, o setor varejista emitiu R$ R$ 8,19 bilhões em debêntures no ano passado. Para os CRIS, utilizados, por exemplo, no pagamento de aluguéis de lojas ou na antecipação de recebíveis de vendas de imóveis, o montante foi de R$ 2,42 bilhões. 

“Acredito que, em 2024, haverá um aumento significativo em termos de volume”, diz Paiva. “Como a Selic tem mantido a trajetória de baixa, as empresas deverão buscar emitir papéis para se financiar e, eventualmente, melhorar os custos de capital das suas dívidas”, argumenta.

Mas ele pondera que, depois do rombo da Americanas, dos prejuízos da Marisa e das dificuldades enfrentadas pelo Magazine Luiza, a seletividade do mercado será maior. “Acredito que só as empresas muito qualificadas, com rating triple A, vão se livrar da solicitação de garantias mais sólidas”. Também acredita que as taxas poderão ser “um pouco mais altas”, embora em parte compensadas pela retração da Selic.


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Como possíveis garantias solicitadas, ele menciona ações, investimento em série subordinada da própria emissão e ativos líquidos não operacionais, como imóveis, entre outros.

Ele não aposta, porém, em novos aumentos no Índice de Cobertura sobre o Saldo Devedor. “Por experiência, digo que o mercado aceitava até 2021 muito facilmente um índice de cobertura de 110%, no caso de um CRI, por exemplo”, diz. “Hoje, o pessoal pede no mínimo 120% ou 130%, e acho difícil conseguirem exigir mais que isso porque senão a operação deixaria de fazer sentido para a empresa.”

Vendas e juros

No que depender das projeções do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) e da Fia Business School, as vendas do varejo permanecerão mornas neste começo de ano, com alta prevista em 1,41% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, e redução de 0,88% em relação ao último trimestre de 2023.

Segundo Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA, os resultados refletem juros altos para o consumidor no comércio. “Em que pese o fato da taxa básica ter sido reduzida como consequência da contenção inflacionária, a verdade é que os juros na ponta caíram muito pouco, de 89% ao ano para 87% ao ano entre 2022 e 2023”, diz ele.

Para Márcio Paiva, da Bloxs Capital, o impacto da queda de juros deve chegar ao consumidor do varejo no segundo semestre. “Quem se beneficia primeiro são as grandes corporações. E depois vem o resto da economia pulverizada. Tem um delay importante, de no mínimo seis meses”, finaliza.

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